quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O atual de 400 anos atrás - relatório da peça "Ricardo III" - Grupo Galpão



O grupo Clowns de Shakespeare de Natal, Rio Grande do Norte, que visa a pesquisa na presença cênica do ator, a musicalidade e o teatro popular encena mais uma vez uma peça do Bardo. Ricardo III, de William Shakespeare, conta a história de Ricardo, Duque de Gloucester, que deseja o trono do irmão e Rei Eduardo IV.


                                                               Foto: Divulgação

  Para fazer tal ligação, entre Ricardo III e o grupo nordestino, Gabriel Vilela foi convidado para dirigir o espetáculo. Vilela já havia experimentado, 20 anos antes, montar com o Grupo Galpão (MG), que também pesquisa o teatro popular, Romeu e Julieta, de Shakespeare.
Desta vez a encenação é descontraída e poética ao mesmo tempo, tendo como instrumentos os personagens clownescos, números circenses, o picadeiro e carroças ciganas prende totalmente a atenção do público com um ritmo dinâmico durante toda a belíssima encenação e é possível notar um Vilela mais maduro.
Marco França, que interpreta Ricardo III assina a direção musical ao lado de Ernani Maletta e Babaya. As músicas são de extrema importância para a concepção do espetáculo, misturam desde o canto popular, músicas nordestinas até Queen. Um destaque para uma cena toda musicalizada é quando Ricardo III encomenda a morte de seus inimigos e aliados, tornando uma cena carregada de ódio cômica, inclusive tendo relação direta com o público.
A ambição de Ricardo é tão grande que ele passa por cima do que precisar, chegando até mesmo a matar aliados. Esta deficiência moral no caráter de Ricardo é simbolizada com uma deficiência física, um rei coxo.


      Nesta questão surge um fato importante e atual: um rei com deficiências morais e coxo. Ricardo III é o espelho dos nossos políticos e governantes. Afinal, quantos deles não são moralmente coxos? Quantos não passam por cima da ética e da moral para conseguirem o que querem? É a relação de poder que Shakesperare falava há mais de 400 anos atrás e que continua muito atual.

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