O grupo Clowns de
Shakespeare de Natal, Rio Grande do Norte, que visa a pesquisa na presença
cênica do ator, a musicalidade e o teatro popular encena mais uma vez uma peça
do Bardo. Ricardo III, de William Shakespeare, conta a história de Ricardo,
Duque de Gloucester, que deseja o trono do irmão e Rei Eduardo IV.
Foto: Divulgação
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Para fazer tal ligação, entre Ricardo III e o grupo nordestino, Gabriel Vilela foi convidado para dirigir o espetáculo. Vilela já havia experimentado, 20 anos antes, montar com o Grupo Galpão (MG), que também pesquisa o teatro popular, Romeu e Julieta, de Shakespeare.
Desta vez a encenação é
descontraída e poética ao mesmo tempo, tendo como instrumentos os personagens
clownescos, números circenses, o picadeiro e carroças ciganas prende totalmente
a atenção do público com um ritmo dinâmico durante toda a belíssima encenação e
é possível notar um Vilela mais maduro.
Marco França, que
interpreta Ricardo III assina a direção musical ao lado de Ernani Maletta e
Babaya. As músicas são de extrema importância para a concepção do espetáculo,
misturam desde o canto popular, músicas nordestinas até Queen. Um destaque para
uma cena toda musicalizada é quando Ricardo III encomenda a morte de seus
inimigos e aliados, tornando uma cena carregada de ódio cômica, inclusive tendo
relação direta com o público.
A ambição de Ricardo é
tão grande que ele passa por cima do que precisar, chegando até mesmo a matar
aliados. Esta deficiência moral no caráter de Ricardo é simbolizada com uma deficiência
física, um rei coxo.
Nesta questão surge um fato importante e atual:
um rei com deficiências morais e coxo. Ricardo III é o espelho dos nossos
políticos e governantes. Afinal, quantos deles não são moralmente coxos?
Quantos não passam por cima da ética e da moral para conseguirem o que querem?
É a relação de poder que Shakesperare falava há mais de 400 anos atrás e que continua
muito atual.

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